É possível manter 4,0 UA/ha no pastejo contínuo, embora não seja o mais recomendável. Face ao maior esforço administrativo necessário para garantir o sucesso do pastejo intensivo contínuo e ao volume de recursos demandados para o custeio deste manejo (adubações nitrogenadas, potássicas e fosfáticas de manutenção) é bom considerar a redivisão dos pastos para o pastejo rotacionado.
A exploração intensiva de pastagens sob lotação contínua só é possível com certo número de divisões dos pastos e somente em 25 a 35% da área disponível. Isso porque a carga animal, ou taxa de lotação, terá que ser variável acompanhando a disponibilidade de forragem de modo a manter estável a pressão de pastejo (quilos de peso vivo / quilos de forragem disponível).
Para o melhor aproveitamento da forragem produzida sob adubação (uma forragem mais cara, portanto) é preciso manter a pastagem muito próximo da altura ótima de pastejo regulando a taxa de lotação para consumir exatamente o capim que estiver crescendo. Se a lotação for muito alta a pastagem vai ficar mais baixa, reduzir sua produção e proporcionar um ganho de peso menor. Nesta situação cai a proporção de folhas e aumenta a proporção de talos, reduzindo o valor nutritivo da dieta dos animais. Se a lotação for muito baixa a produção de carne por área também vai ser menor, primeiro porque o número de animais é menor do que o ótimo e depois porque o capim vai passar do ponto, reduzindo desta forma o valor nutritivo da forragem disponível.
Assim, manter esta carga variável na pastagem explorada intensivamente implica, naturalmente, que os animais sejam levados para outro pasto quando cair a produção de forragem e de lá trazidos quando estiver sobrando capim. É muito importante que parte da área de “reserva” seja manejada para produção de feno-em-pé pois, embora no verão a área adubada suporte 4 UA/ha, na seca a capacidade de suporte cairá para 1 UA/ha requerendo uma reserva de alimentos para as outras 3 UA/ha.
O manejo intensivo de pastagens requer outras medidas suplementares:
– acompanhamento da fertilidade do solo para reposição dos nutrientes extraídos pelas pastagens;
– suplementação alimentar no período seco, para atender ao potencial de crescimento dos animais durante todo o ano;
– escolha de animais com potencial de resposta ao manejo intensivo (bezerros desmamados com 190-200 kg);
– treinamento da mão-de-obra e adequação das instalações para redução do estresse de manejo;
– manutenção de medidas profiláticas contra perdas sanitárias (verminose, carrapato, mosca-dos-chifres etc.)
– atendimento aos princípio das boas práticas de manejo.
Para intensificação do manejo das pastagens recomendamos a leitura das publicações listadas abaixo e sugerimos consultar um zootecnista da região para obter orientação específica na implantação do sistema intensivo de exploração das pastagens.
“Uso Intensivo de Pastagens”: https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/321654/uso-intensivo-de-pastagens
“Manejo de Pastagens para Produção de Feno-em-Pé”: https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/325243/manejo-de-pastagens-para-producao-de-feno-em-pe
“Boas Práticas na Produção de Bovinos de Corte”: https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/325565/boas-praticas-na-producao-de-bovinos-de-corte