Embora o estilosantes campo grande seja muito tolerante à acidez do solo, indicada pelo pH, ele requer um nível mínimo de fertilidade representado pelos teores de fósforo (P), potássio (K) e saturação por bases (V%). Os níveis de zinco (Zn) também são importantes para o estabelecimento e persistência do consórcio. Num solo com pH entre 4,5 e 5,5, caso de quase todo os solos sob vejetação de cerrado aqui no Brasil Central, os níveis desses elementos ficam muito próximos do mínimo exigido e geralmente é necessário corrigir a fertilidade com a aplicação de calcário (1,5 a 3 toneladas / ha), fósforo (40 a 80 kg de P2O5 / ha), potássio (25 a 50 kg de K2O / ha) e zinco (20 a 40 kg de FTE / ha ). Se quiser arriscar, pode aplicar 1 toneda de calcário, 200 kg de super simples, 60 kg de cloreto de potássio e 30 kg de FTE BR14 ou BR16. É muito importante que o calcário e o super simples sejam incorporados ao solo (de 0 a 20 cm de profundidade) através de aração profunda ou gradagens aradoras. Já a arenosidade do solo é ponto favorável ao estilosantes, pois esta planta depende desse tipo de solo para garantir a ressemeadura anual, um dos elementos responsáveis pela persistência do estilosantes campo grande no consórcio com gramíneas. A germinação anual das sementes produzidas pelo estilosantes é importante, pois repõe as plantas mortas pelo envelhecimento (2 a 3 anos) ou por ataque de insetos (pouco) e de doenças (geralmente de média intensidade). O solo argiloso é desfavorável à germinação e ao estabelecimento das plantinas rescem germinadas. O plantio da leguminosa em solo com fertilidade abaixo da necessária resultará numa pequena elevação da produtividade de carne da área – em torno de 5 a 10% a mais contra o potencial de 25 a 30% de elevação. Isso acontecerá porque apesar de fornecer nitrogênio à gramínea, o capim não o aproveitará totalmente pela falta dos outros nutrientes no solo. É como tentar escrever várias palavras (batata por exemplo) fornecendo mais somente de uma letra (b por exemplo) sem fornecer as outras ( a e t). Além disso a inclusão da leguminosa poderá acelerar o empobrecimento do solo ao forçar o capim a retirar mais nutrientes do que o solo seria capaz de oferecer e, com isso, antecipar a degradação da pastagem. O cultivo de leguminosas em faixa tem a vantagem de facilitar a introdução da forrageira em áreas de gramíneas já formadas e que não necessitam de correção do solo. Nesse caso o benefício da leguminosa consiste em fornecer, aos animais, proteína adicional no período das águas e proteína complementar no período da seca. O desempenho é realmente semelhante ao fornecimento de misturas múltiplas em pequenas quantidade ou do “sal proteinado” – cerca de 100 a 150 g / cab / dia. Essa dieta só permite terminar animais que estejam muito próximos do acabamento (faltando 1 a 1,5 @ para o abate). Esse desempenho animal é semelhante com o consórcio pleno, a diferença é que o consórcio pleno aumenta a capacidade de suporte (lotação) da pastagem. No cultivo em faixas, e nos bancos de proteína, o benefício da tecnologia é reduzido, pois a gramínea não se beneficiará do nitrogênio fixado pela leguminosa, para seu crescimento, aumento do seu valor nutritivo e da capacidade de suporte da pastagem. O estilosantes campo grande adiciona ao pasto o equivalente a uma adubação com 120 a 160 kg de ureia todos os anos. Por outro lado a leguminosa espalhada no meio da gramínea se torna mais resistente ao ataque de doenças – o contágio planta a planta se torna mais difícil e mais lento. No cultivo em faixas e nos bancos de proteína a propagação de doenças é muito pior. O banco de proteína cria ainda outras dificuldades, pois requer novas instalações (cercas, bebedouros, saleiros) e mais manejo: controle diário (um ciclo de pastejo por dia) ou semanal (dois dias por semana) do acesso ao piquete com a leguminosa.

Veja mais detalhes sobre o cultivo do estilosantes campo grande nas publicações:

https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/319150/cultivo-e-uso-do-estilosantes-campo-grande

https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/325571/estilosantes-campo-grande-situacao-atual-e-perspectivas

Recomendamos a consulta a um zootecnista da sua região (www.cfmv.org.br – ver CRMVs) para orientá-lo na amostragem do solo para análise, recomendação de adubação, do preparo do solo e do cultivo do estilosantes para aumentar a rentabilidade de sua pecuária.