Os bezerros de raças zebuínas, machos e fêmeas, podem ser criados juntos até a idade de 12 meses. No caso de raças europeias e produtos de cruzamento, convém separar os machos das fêmeas na desmama, aos 6-7 meses de idade.
Os bezerros de raças zebuínas, machos e fêmeas, podem ser criados juntos até a idade de 12 meses. No caso de raças europeias e produtos de cruzamento, convém separar os machos das fêmeas na desmama, aos 6-7 meses de idade.
O estresse da desmama é causado pelo efeito acumulativo de dois componentes:
• Efeito nutricional – Com a separação, o bezerro é privado do leite que, apesar de pouco, é um alimento de alta digestão e com boa concentração de nutrientes.
Em seguida, é submetido a um pasto amadurecido (início da estação seca), pobre em qualidade e com reduzida disponibilidade.
• Efeito emocional – O longo tempo de convivência e as interações de proteção e afeto estabelecem um vínculo preferencial e duradouro entre mãe e cria. Com a desmama, o bezerro perde, abruptamente, a companhia de sua parceira predileta, ficando naturalmente nervoso e estressado, até se ajustar ao novo ambiente.
Como consequência do estresse de desmama, há perda de até 10% do peso e atraso no desenvolvimento da cria, além de maior suscetibilidade a doenças e parasitoses. Para evitá-los, ou reduzir seus efeitos, pode-se usar suplementação alimentar, antes e após a desmama, e formação de pastos especiais.
Se possível, a desmama deve ser realizada em pastos adjacentes, onde mães e crias têm possibilidades de estímulos olfativos, visuais e auditivos. Essa prática parece acalmar vacas e bezerros, levando-os mais rapidamente ao pastejo e à ruminação.
O “amadrinhamento” das crias, juntando animais adultos ao lote
recém-desmamado, também tem a função de tranquilizá-los.
Quando há disponibilidade de piquetes, os bezerros devem, após a separação, retornar para o pasto de origem, que lhes é mais familiar. O controle de ecto e endoparasitas, bem como as vacinações preventivas, são indispensáveis para não agravar o quadro. Os bezerros devem ser poupados de manejo estressante, logo após a desmama.
Em sistema extensivo, os bezerros são desmamados usualmente aos 6 – 8 meses de idade. Dependendo das condições de pasto, podem ser desmamados aos 5 meses, sem causar prejuízo ao seu desenvolvimento.
Não é comum novilhas de primeira cria enjeitarem bezerros. Por instinto, a grande maioria das novilhas aceita e cuida de suas crias. É difícil saber, antes do parto, se a novilha irá ou não enjeitar o bezerro, o que impossibilita adotar alguma medida especial para evitar que isso ocorra. Entretanto, as novilhas devem permanecer em piquete-maternidade, em lugar calmo, para não ficarem estressadas por ocasião do parto.
Pode-se vacinar a partir de 3-4 meses de idade, embora na prática eles sejam vacinados aos 6 meses, com um reforço aos 12 meses. Em áreas de alto risco de ocorrência da doença, recomenda-se vacinar os bezerros a cada 6 meses, até a idade de 2 anos.
Os animais destinados ao abate em criações extensivas, no Brasil Central, devem ser vermifugados a partir da desmama, até a idade de 24 meses, com vermífugos de largo espectro, uma vez que estes atuam contra todas as espécies de vermes. O meio de administração do vermífugo não é importante. O que realmente importa é o princípio ativo do produto. Mas, nas outras regiões do País, o produtor deve procurar orientação médico-veterinária local.
O feno é mais indicado para bezerros. Deve ter boa qualidade e pode ser oferecido a partir dos 2-3 meses de idade.
A descorna tem sido uma prática indicada principalmente para animais mestiços, com o objetivo de facilitar o manejo e evitar ferimentos provocados pelos chifres, notadamente quando a fase de terminação é conduzida em confinamento. Deve ser realizada em bezerros com até dois meses de idade. Após esse período, essa prática fica mais difícil e onerosa, além de causar estresse ao animal.
Os dois métodos de descorna (com ferro quente ou com bastão de soda cáustica) são eficientes quando aplicados em animais jovens; porém, o uso do bastão de soda cáustica requer maior cuidado na realização da prática, e não deve ser usado nos dias em que haja possibilidade de ocorrência de chuvas.
A fotossensibilização hepatógena em bezerros é causada por um fungo que se desenvolve no material seco do pasto, principalmente em pastagem de braquiária. Ocorre geralmente após a desmama, quando o bezerro passa a se alimentar exclusivamente da pastagem. A primeira providência, nos casos de fotossensibilização, é a mudança dos bezerros para outro pasto de espécie forrageira diferente, que tenha sombra. O tratamento consiste na aplicação de protetor hepático, anti-histamínicos e hidratantes. Nas lesões da pele, devem ser aplicadas pomadas antissépticas e cicatrizantes.
A desmama de bezerros de corte normalmente ocorre no início do período seco, em abril/maio. Neste caso, a pastagem
deve ser de espécies capazes de se conservar como feno-em-pé, nesse período, com o máximo de qualidade. Entretanto sugere-se evitar pastos de Braquiaria decumbens, pois essa braquiária pode provocar fotossensibilização nos bezerros, o que exigiria outros cuidados.
Resultados de pesquisa indicam que pastagens exclusivas de capim não atendem satisfatoriamente às necessidades nutricionais dos bezerros na fase pós-desmama. O uso dessas pastagens, associadas com leguminosas, tem proporcionado bons ganhos de peso no período seco, em bezerros desmamados. Outra alternativa é recorrer a uma suplementação de baixo consumo, como sal proteico, no período pós-desmama, para evitar a perda de peso.