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dez 5, 2014
Josimar Lima do Nascimento
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Bem-estar para animais e homens

Ano 10 – nº 1.288

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O ano foi de quebra de conceitos para os colaboradores de campo da Unidade. Inseridos na nova realidade de produção e consumo, na qual a qualidade, a origem e a segurança do produto fazem a diferença, os empregados participaram em 2014 de treinamentos em aplicação de medicamentos e manejo racional, focando no bem-estar como caminho para se obter mais segurança às pessoas e aos animais, maior eficiência na atividade diária da propriedade e menor estresse do gado e dos trabalhadores.

 

Esta semana, Renato dos Santos, médico-veterinário de campo há mais de 30 anos, especialista no assunto que ministrou o curso “Webinar internacional manejo e bem-estar animal” ao lado de José Rodolfo Ciocca e Temple Grandin, psicóloga por formação e Ph.D em zootecnia, responsável por revolucionar as práticas para o tratamento racional de animais vivos em fazendas e abatedouros, esteve dois dias com nossa equipe, acompanhado da terapeuta Rosangela Butsev, falando, mais uma vez, dos impactos positivos da introdução de tais princípios na lida rural.

 

Com metodologia peculiar, Renato trouxe novas ferramentas para facilitar o manejo, como noções sobre a zona de fuga e o ponto de equilíbrio, porém, o técnico ressalta que o conhecimento é o principal instrumento do trabalhador. “Ele precisa, primeiramente, conhecer o animal, suas reações e mudar sua atitude, conscientemente. Afinal, a grande maioria das pessoas não gosta de machucar os animais. Quando faz é por desconhecer alternativas mais eficientes e menos agressivas”.

 

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Há 34 anos na Empresa, o manejador de gado Sebastião Almeida da Fonseca confirma que “demorou muito para isso chegar à Unidade. Sinto que demoramos para acordar. Quantas vezes fomos ao campo, levamos o gado para lá e para cá e nem sabemos o porquê da movimentação. Logo estarei me aposentado e espero que os novos possam aproveitar melhor o que aprendemos aqui”. Com seus seis anos de Embrapa, Joelcio Almeida, deseja que agora com conhecimento adquirido e capacitado, o grupo tenha condições de colocar em prática o aprendizado. “O conhecimento chegou faz pouco, mas isso nos prepara para o mercado, não somente para a Embrapa”, avalia.

 

A legislação de bem-estar animal no Brasil teve início com o Decreto nº 24.645 de julho de 1934, que estabelece medidas de proteção animal. A Constituição Federal de 1988, no seu artigo nº 225, concede ao poder público competência para proteger a fauna e a flora e em março de 2008 foi instituída pela Portaria nº 185 a Comissão Técnica Permanente de Bem-Estar Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), aproximando o tema do setor.

 

img_4226No Centro, a capacitação foi uma iniciativa da Comissão de Ética para Uso de Animais (CEUA), regida desde 2012, liderada pelas pesquisadoras Vanessa Felipe de Souza e Alessandra Corallo Nicácio, juntamente com os gestores de campo e de recursos humanos. Ao todo, segundo Vanessa, foram disponibilizadas 25 vagas para os setores de Máquinas e Veículos, Fazenda Modelo, Campos Experimentais e Produção Animal. A veterinária espera que “apesar das dificuldades relacionadas à infraestrutura, que os empregados consigam fazer a teoria funcionar e se aperfeiçoem como profissionais”.

 

Renato também acredita que o saber possibilita “utilizar melhor o que se tem, buscando ultrapassar as dificuldades de infraestrutura”, porém, para ele, a participação dos gestores no processo é mais que crucial, enfatizando: “Quando o dono da fazenda não se envolve é difícil. Quem manda na fazenda é o dono”. Para a construção de uma nova realidade, ele recomenda a partilha do conhecimento, o questionamento e o diálogo. “O ser humano é capaz de conversar. Precisamos exercitar isso. Em equipe, o mais importante é falar e escutar. Um compromisso de equipe promove mudanças verdadeiras”.

 

Redação e fotos: Dalízia Aguiar

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