Sim, o grau de sangue tem efeitos não apenas sobre a fertilidade mas também sobre outras características relacionadas a crescimento, carcaça e carne. No entanto, é preciso atenção no que diz respeito à proporção de europeu nos mestiços. Na maioria das condições tropicais brasileiras, sangue europeu muito além de 50% pode comprometer o desempenho reprodutivo, em função das perdas não só de adaptabilidade, como também de retenção de heterose. Uma alternativa para aumentar o grau de sangue europeu sem grandes perdas de adaptabilidade e fertilidade é o
uso de raças taurinas adaptadas.
A dificuldade de se trabalhar a fertilidade por meio da seleção reside nos seus baixos valores de herdabilidade. Nestas condições, as respostas à seleção são mais lentas. Herdabilidades baixas, por outro lado, indicam que grande parte das diferenças entre os indivíduos se devem a fatores ambientais que não são repassados à progênie (saúde, alimentação, manejo, etc.). Para contornar a dificuldade dos baixos valores de herdabilidade, uma estratégia é selecionar os animais com base em informações oriundas de um teste de progênie ou de médias de família, como é o caso das diferenças esperadas nas progênie (DEPs) publicadas nos sumários de touros.
Na prática, são adotadas práticas de seleção para fertilidade com base no fenótipo, como:
• Descarte de novilhas e matrizes que não se apresentarem prenhes após a estação de monta.
• Descarte de fêmeas que apresentarem defeitos de ordem reprodutiva.
• Descarte de machos com defeitos de funcionalidade no aparelho reprodutor e na capacidade fecundante.
Progressos mais rápidos poderão ser obtidos aliando-se, a essas práticas, melhorias na alimentação, na saúde e no manejo, de um modo geral, e adequando-se a relação genótipo-ambiente pela criação de animais com boa adaptação ao meio.