Em fato, não há pesos ou idades ideais para um bovino entrar em confinamento ou ser abatido. O que determina a entrada e o abate são variáveis do sistema de produção (sexo, raça, nutrição, manejo etc..), variáveis do mercado comprador e a realidade financeira de cada propriedade. O ideal seria consultar um profissional da área de ciências agrárias (agrônomo, veterinário ou zootecnista) da sua região para orientação.
O mais comum nos confinamentos brasileiros é a terminação confinada ser de curta duração (70 a 100 dias) e com peso de abate acima de 16 arrobas para machos (aproximadamente 480 kg) e de 12 arrobas para fêmeas (aproximadamente 360 kg). Apesar de este ser o peso mínimo normalmente exigido pelos frigoríficos, é comum o abate de machos com peso entre 18 e 20 arrobas de carcaça, que são a categoria mais frequentemente confinadas, comparado às fêmeas. Já para as fêmeas os peso de abate tem estado entre 13 e 16 arrobas.
O peso mínimo inicial dos machos para entrar em confinamento situa-se usualmente entre 350 kg e 450 kg, dependente de fatores de mercado, custos e oferta de alimentos, valor da arroba futura, de escassez ou baixa qualidade das pastagens, de estratégias de produção etc. Menos importante que o peso é a idade, porém normalmente o confinamento se inicia entre 18 e 30 meses para os machos. Importante destacar que existem confinamentos que se iniciam quando os animais são mais jovens e muitas vezes até mais leves, como é o caso do modelo superprecoce em que são confinados logo após o desmame e abatidos entre 12 e 18 meses de idade. Neste caso os confinamentos são mais longos podendo durar até 180 dias.
O peso de abate ideal dependerá de uma série de fatores e será único para cada situação. Do ponto de vista econômico, o ponto de abate pode ser aquele em que o animal começa a não dar mais lucro, ou seja, o custo de sua manutenção no confinamento se torna maior que a receita obtida com o ganho em carcaça. Este ponto é variável em função do custo da diária do confinamento, do fato do macho estar castrado ou não, do sexo, da conversão alimentar do animal, de seu tamanho (porte) e do valor de comercialização da arroba.
Com relação ao tamanho dos animais, fêmeas, machos castrados e animais de porte menor (mais precoces) tendem a ter acabamento de carcaça mais cedo, apresentando pior conversão alimentar e margem econômica mais estreita caso sejam mantidos confinados com pesos elevados. Já machos inteiros e animais de maior porte (mais tardios), em geral, demoram a apresentar acabamento de carcaça e por isso normalmente tem boa conversão alimentar por mais tempo, podendo ser abatidos mais pesados.
Cenários com custo alimentar elevado e arroba desvalorizada normalmente demandam o abate de animais mais leves, com o mínimo de acabamento de carcaça exigido pelos frigoríficos, aproveitando fases do crescimento com melhor conversão alimentar. Cenários de custo alimentar baixo e arroba valorizada favorecem o abate de animais mais pesados, para melhor aproveitamento do animal adquirido como “boi magro” e, assim, diluir o custo das arrobas adquiridas que normalmente apresentam ágio.