Uma pastagem bem formada de capim-marandu pode proporcionar bom ganho de peso na engorda de bovinos. Em solos férteis ou adubados, uma pastagem de marandu pode suportar lotação de até 3 cab./ha em pastejo contínuo, com ganhos de peso próximos a 800 g/animal/dia no período chuvoso. Na seca, dependendo da sua intensidade, a produtividade pode cair para a metade.
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Normalmente o “escorrimento” ocorre devido a transição brusca de um alimento excessivamente fibroso (pasto maduro e com alta proporção de talos e material morto) para outro tenro e rico (rebrota da primavera), sem que haja tempo para adaptação da flora do rúmen. O problema pode ser contornado seguindo as seguintes medidas: 1)Planejar a oferta de forragem para todo o rebanho para o ano inteiro, evitando o uso das pastagens acima da capacidade de suporte para que não ocorra falta de forragem no final do período seco; 2)Manter uma reserva estratégica de forragem (canavial) para uso nos anos em que a seca se prolongar além do normal; 3)Usar um alimento ponte (cana, milho, rolão de milho etc) quando tiver que sair de um pasto excessivamente fibroso para outro tenro demais. Forneça meia dose do alimento ponte durante 4 dias; aumente para 1 dose por mais 4 dias; mude de pasto e continue fornecendo 1 dose por mais 4 dias; reduza a dose para metade e forneça por mais 4 dias. Para cana a dose é de 8 kg /cabeça / dia
Nosso laboratório de bromatologia analisa rotineiramente os conteúdos de celuse, hemicelulose e lignina de amostras vegetais. Essas análise são realizadas somente para atender aos projetos de pesquisa da unidade, pois não temos estrutura para o atendimento externo.
A maioria das pastagens no Brasil é capaz de suportar uma lotação próxima a uma UA (cabeça adulta) por hectare, mas lotação pode variar conforme a fertilidade do sol, o estado da pastagem, a espécie forrageira e o manejo adotado, indo de 0,3 UA/ha até 15 UA/ha. Veja maiores informações sobre pecuária no livro “Gado de corte: 500 Perguntas, 500 Resposta – O Produtor Pergunta, A Embrapa Responde”, que reúne as dúvidas mais frequentes dos pecuaristas. A obra está disponível gratuitamente no link abaixo:
http://mais500p500r.sct.embrapa.br/view/publicacao.php?publicacaoid=90000017
Temos quatro opções de leguminosas que podem ser usadas no seu caso: calopogônio, amendoim forrageiro , estilosantes Mineirão e estilosantes Campo Grande. O calopogônio é pouco exigente, fácil de introduzir, pouco agressivo, e tem sementes muito baratas, mas só permanecerá na consorciação por cerca de 3 anos. O amendoim forrageiro (Arachis pintoi cv. Belmonte) tem todas as vantagens do anterior, além de ser permanente, mas deve ser plantado por mudas. Os estilosantes exigem solo leves (menos que 30% de argila) e mudas de eucalipto acima de 1 metro de altura.
Veja informações sobre o assunto na publicação disponível em: https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/325208/controle-de-plantas-invasoras-em-pastagens-cultivadas-nos-cerrados
Posso formar uma pastagem mesclando espécies, tais como a brizanta e a decumbens?
Não recomendamos a formação de pastagens mesclando espécies de gramíneas. Nessas condições torna-se impossível implantar um manejo correto, pois sempre se favorecerá a uma espécie e prejudicará a outra, levando à degradação da pastagem. Como a braquiária decumbens não apresenta solo descoberto, supomos que seu problema é com a brizanta. Para manter esta pastagem sem solo descoberto deve-se observar duas condições: 1) só implantá-la em solos de média a alta fertilidade; e 2) manejar o pasto corretamente, respeitando sua altura de entrada e de saída. Sugerimos consultar um zootecnista de sua região para avaliar a fertilidade do solo e o manejo de suas pastagens e para orientá-lo quanto aos procedimentos corretos.
Como deve ser o solo para o cultivo do estilosantes campo grande? Pode ser consorciado em pastagens já formadas?
Embora o estilosantes campo grande seja muito tolerante à acidez do solo, indicada pelo pH, ele requer um nível mínimo de fertilidade representado pelos teores de fósforo (P), potássio (K) e saturação por bases (V%). Os níveis de zinco (Zn) também são importantes para o estabelecimento e persistência do consórcio. Num solo com pH entre 4,5 e 5,5, caso de quase todo os solos sob vejetação de cerrado aqui no Brasil Central, os níveis desses elementos ficam muito próximos do mínimo exigido e geralmente é necessário corrigir a fertilidade com a aplicação de calcário (1,5 a 3 toneladas / ha), fósforo (40 a 80 kg de P2O5 / ha), potássio (25 a 50 kg de K2O / ha) e zinco (20 a 40 kg de FTE / ha ). Se quiser arriscar, pode aplicar 1 toneda de calcário, 200 kg de super simples, 60 kg de cloreto de potássio e 30 kg de FTE BR14 ou BR16. É muito importante que o calcário e o super simples sejam incorporados ao solo (de 0 a 20 cm de profundidade) através de aração profunda ou gradagens aradoras. Já a arenosidade do solo é ponto favorável ao estilosantes, pois esta planta depende desse tipo de solo para garantir a ressemeadura anual, um dos elementos responsáveis pela persistência do estilosantes campo grande no consórcio com gramíneas. A germinação anual das sementes produzidas pelo estilosantes é importante, pois repõe as plantas mortas pelo envelhecimento (2 a 3 anos) ou por ataque de insetos (pouco) e de doenças (geralmente de média intensidade). O solo argiloso é desfavorável à germinação e ao estabelecimento das plantinas rescem germinadas. O plantio da leguminosa em solo com fertilidade abaixo da necessária resultará numa pequena elevação da produtividade de carne da área – em torno de 5 a 10% a mais contra o potencial de 25 a 30% de elevação. Isso acontecerá porque apesar de fornecer nitrogênio à gramínea, o capim não o aproveitará totalmente pela falta dos outros nutrientes no solo. É como tentar escrever várias palavras (batata por exemplo) fornecendo mais somente de uma letra (b por exemplo) sem fornecer as outras ( a e t). Além disso a inclusão da leguminosa poderá acelerar o empobrecimento do solo ao forçar o capim a retirar mais nutrientes do que o solo seria capaz de oferecer e, com isso, antecipar a degradação da pastagem. O cultivo de leguminosas em faixa tem a vantagem de facilitar a introdução da forrageira em áreas de gramíneas já formadas e que não necessitam de correção do solo. Nesse caso o benefício da leguminosa consiste em fornecer, aos animais, proteína adicional no período das águas e proteína complementar no período da seca. O desempenho é realmente semelhante ao fornecimento de misturas múltiplas em pequenas quantidade ou do “sal proteinado” – cerca de 100 a 150 g / cab / dia. Essa dieta só permite terminar animais que estejam muito próximos do acabamento (faltando 1 a 1,5 @ para o abate). Esse desempenho animal é semelhante com o consórcio pleno, a diferença é que o consórcio pleno aumenta a capacidade de suporte (lotação) da pastagem. No cultivo em faixas, e nos bancos de proteína, o benefício da tecnologia é reduzido, pois a gramínea não se beneficiará do nitrogênio fixado pela leguminosa, para seu crescimento, aumento do seu valor nutritivo e da capacidade de suporte da pastagem. O estilosantes campo grande adiciona ao pasto o equivalente a uma adubação com 120 a 160 kg de ureia todos os anos. Por outro lado a leguminosa espalhada no meio da gramínea se torna mais resistente ao ataque de doenças – o contágio planta a planta se torna mais difícil e mais lento. No cultivo em faixas e nos bancos de proteína a propagação de doenças é muito pior. O banco de proteína cria ainda outras dificuldades, pois requer novas instalações (cercas, bebedouros, saleiros) e mais manejo: controle diário (um ciclo de pastejo por dia) ou semanal (dois dias por semana) do acesso ao piquete com a leguminosa.
Veja mais detalhes sobre o cultivo do estilosantes campo grande nas publicações:
https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/319150/cultivo-e-uso-do-estilosantes-campo-grande
https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/325571/estilosantes-campo-grande-situacao-atual-e-perspectivas
Recomendamos a consulta a um zootecnista da sua região (www.cfmv.org.br – ver CRMVs) para orientá-lo na amostragem do solo para análise, recomendação de adubação, do preparo do solo e do cultivo do estilosantes para aumentar a rentabilidade de sua pecuária.
Onde posso encontrar mais informações sobre a introdução de leguminosas em pastagens?
Veja os seguintes as publicações relacionadas:
https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/319150/cultivo-e-uso-do-estilosantes-campo-grande
http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/cot/COT118.pdf
https://www.embrapa.br/gado-de-corte/busca-de-publicacoes/-/publicacao/317887/uso-de-leucena-em-pastagens
http://old.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/ct/ct13/index.html
É viável a utilização de estilosantes campo grande para pastagem consorciada na alimentação de equinos?
O estilosantes campo grande pode ser utilizado nas pastagens para equinos melhorando a fertilidade do solo, aumentando a produção de forragem e a dieta dos animais, pois aumenta o teor de proteína da forragem consumida.