“Tricrós” é um tipo de cruzamento em que entram três raças, ou seja cruza-se um animal mestiço de duas raças com um animal de uma terceira raça. O chamado tricrós do brahman, por exemplo, é um cruzamento em que um reprodutor desta raça, normalmente um touro ou sêmen, é cruzado com um meio sangue nelore / caracu, por exemplo.
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Com relação ao cruzamento entre as raças girolando (touro) e holandesa (vaca) e vice-versa, existe alguma vantagem ou desvantagem nas características dos bezerros ligadas ao sexo/raça dos pais?
Existem características ligadas ao sexo que só são transmitidas pela fêmea ou pelo macho. Para fins de produção leiteira e de pelagem não há muitas diferenças no meio sangue partindo-se da vaca ou do touro holandês, os bezerros serão bem parecidos. Pode haver algumas vantagens para o bezerro se a vaca for holandesa, pois essas vacas tem uma habilidade materna mais alta, pois suas tetas são menores e mais facilmente apreendidas pelo bezerro. O animal obtido do cruzamento de um holandês puro com um girolando puro ainda não pode ser chamado de girolando. O girolando se obtém através da bimestiçagem de animais com grau de sangue próximo ao 5/8 holandês – 3/8 girolando. No primeiro cruzamento, para a obtenção do meio sangue, a raça materna ou paterna não faz diferença. Veja os esquemas de cruzamento para obtenção do girolando no sítio oficial da raça (http://www.girolando.com.br). Para esclarecer mais dúvidas sugerimos contato com esta associação de criadores e seus associados.
As Unidades da Embrapa que comercializam reprodutores são: Arroz e Feijão, de Goiânia/GO (www.embrapa.br/arroz-e-feijao), Pecuária Sudeste, São Carlos/SP (www.embrapa.br/pecuária-sudeste), Cerrados, de Planaltina/DF (www.embrapa.br/cerrados) e a Embrapa Gado de Corte, Campo Grande/MS (www.embrapa.br/gado-de-corte) que mantêm rebanhos nelore e canchim com programas melhoramento genético e venda de tourinhos. Essas vendas são sempre realizadas através de leilões públicos anunciados na imprensa local e disponíveis nas páginas das Unidades.
Mas a melhor maneira de obter informação sobre a comercialização de tourinhos é consultar a associação de criadores das diferentes raças. Vejas as principais associações:
Nelore – www.nelore.org.br
Tabapuã – tabapua.org.br
Gir – http://assogir-brasil.blogspot.com.br/
Canchim – www.canchim.com.br
Caracu – www.abccaracu.com.br
Senepol – senepol.org.br
Angus – angus.org.br
Raças Zebuínas – http://www.abcz.org.br/
Raças Taurinas: Herd Book – www.herdbook.org.br
A consanguinidade, ou endogamia, é um método de melhoramento genético que consiste no acasalamento entre parentes. O método provoca concetração de genes em uma população, aumentando a homozigose e tornando o rebanho mais uniforme e mais distinto de outros rebanhos. A consangüinidade é utilizada para: 1) fixar características exepcionais que surgem em um determinado animal; 2) recuperar características de um animal impedido de acasalar (morto ou indisponível na região) através do acasalamento entre seus parentes (irmãos, pais, colaterais); e 3) criar linhagens homozigotícas (“puras”) sem parentescos umas com as outras, para depois promover o “choque de sangue” (heterose) entre elas, buscando o “vigor híbrido”. No primeiro caso é bem conhecido o exemplo da criação da raça Tabapuã a partir de um animal mocho descoberto pela Fazenda Água Milagrosa em 1940 (veja em http://www.abcz.org.br/racas/tab.htm) ou o do touro Monkey na formação da raça Santa Gertrudis. E o terceiro é ocaso do acasalamento consanguíneo fechado, quando num rebanho não se introduz reprodutores de outras fazendas e os animais são todos acasalados com parentes próximos. Esse método garante ao comprador de animais destes plantéis, a transmissão ao novo rebanho das características do reprodutor adquirido. Os acasalamentos consanguíneos provocam a concentração tanto de genes favoráveis quanto de genes deletérios, provocando o aparecimento de animais defeituosos que devem ser eliminados durante o processo de seleção. Por esse motivo o acasalamento consanguíneo não é recomendado para rebanho comerciais somente para rebanhos cuja finalidade é a produção de matrizes e reprodutores.
Como faço para obter assessoria do Programa Embrapa de Melhoramento de Gado de Corte – Geneplus?
Entre em contato diretamente com a equipe do Geneplus pelo telefone (67) 3368.2065 ou pelo correio eletrônico geneplus@geneplus.com.br.
Veja mais informações sobre o programa no site: http://geneplus.cnpgc.embrapa.br/
A escolha da raça para a criação em sua propriedade dependerá, do objetivo da criação e da intensidade da produção. O uso da raça rubia galega vem sendo estimulado pelo governo estadual de Santa Catarina. Esta raça é de dupla aptidão e se destina a sistemas mistos de produção de carne e leite, com predominância da produção de carne. A raça responde bem a sistemas de produção extensivos e semi-intensivos. Para sistemas mais intesivos de produção de carne recomendamos a criação das raças de porte menor, como o aberdeen angus ou cruzamentos de raças européias (simental, limousine, blonde d’aquitaine, aberdeen etc ) com raças zebuínas (nelore, tabapuã, guzerá etc). Para sistemas mais extensivos sugerimos o uso das razas zebuínas e do caracu.
Veja a listagem disponível no site do Conselho Nacional de Pecuária de Corte:
http://cnpc.org.br/pecuaria.php?pageNum_Revistas=0&totalRows_Revistas=28
Esta raça teve origem na Fazenda Canchim, hoje sob a administração da Embrapa Pecuária Sudeste.
Acesse mais informações no link: https://www.embrapa.br/pecuaria-sudeste/busca-de-publicacoes/-/publicacao/busca/canchim
As fêmeas meio-sangue devem ser destinadas ao abate ou à reprodução, em programas de cruzamentos?
Um dos grandes benefícios do cruzamento é o impacto do vigor híbrido ou heterose sobre as características ligadas à fertilidade e à habilidade maternal, especialmente pelo aumento da produção de leite das vacas mestiças. Dessa forma, é interessante envolver as fêmeas meio-sangue na estratégia do cruzamento, tendo em vista a expectativa de produção de bezerros mais pesados à desmama e que, por isso, poderão atender a sistemas de produção com abates mais precoces.
Ao se optar pela retenção de fêmeas, é interessante que a raça eleita para o cruzamento seja de porte médio, com boa adaptabilidade e menores custos de mantença, e que produza fêmeas férteis e com boa produção de leite.
A opção de abate das fêmeas mestiças, por sua vez, é condicionada à existência de fêmeas de reposição, no próprio rebanho, ou à disponibilidade de fêmeas de boa qualidade a preços
compensadores, no mercado, razão pela qual a estratégia de abate de fêmeas deve ser analisada com muito cuidado.
Seleção genômica é seleção feita com base em um grande número de marcadores moleculares. Nessa seleção são utilizados até 800 mil marcadores, cujos testes são organizados em micropainéis, denominados chips, e realizados de uma única vez. Mais do que isso, na seleção genômica, não se tenta identificar quais marcadores têm efeito, mas sim ratear, entre os diversos marcadores, as diferenças observadas na população de referência ou de calibração.
Após a calibração, é criada uma equação que permite calcular o valor genético-genômico do animal, sem necessidade de coletar seus dados no campo. Essa calibração demanda, necessariamente, um banco de fenótipos referentes às características a serem incluídas no processo seletivo.
Em gado de leite, essa técnica tem permitido obter valores genéticos com uma acurácia moderada, sendo suficiente para a técnica ser indicada para uso na prática. Em bovinos de corte, tanto para marcadores quanto para seleção genômica, os estudos ainda estão em andamento.
As informações disponíveis são limitadas e o consenso entre os especialistas é de que o melhoramento animal deverá contar com a genética molecular e a quantitativa, trabalhadas de uma forma combinada.