É o de pastejo alternado, variando a lotação do pasto conforme a estação do ano. Nesse sistema, além da variação na lotação, adotase também, sobretudo na seca, um descanso mais prolongado para proporcionar melhor recuperação aos piquetes mais intensamente pastejados. Essa prática não caracteriza propriamente uma rotação de pastagens, sendo apenas uma variação do sistema de pastejo contínuo.
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O verdadeiro sistema Voisin é um modelo ultraintensivo de rotação de pastagens, em piquetes de área bastante reduzida (1 ha ou menos), que são pastejados, sucessivamente, por diferentes categorias de animais (geralmente gado leiteiro), durante períodos bastante curtos, de um dia ou menos. Existe uma tendência de estender o conceito do modelo Voisin a qualquer sistema intensivo de rotação de pastagens, independentemente do número e da extensão dos piquetes e do período de pastejo.
A produção média das pastagens tropicais varia em torno de 25 toneladas de MS/ha/ano. O consumo diário de MS pelos animais varia entre 2,5% e 3,0% do peso vivo. Considerando-se, porém, que os animais pastejam seleti vamente, que há perdas pelo pisoteio e que há ainda um grande acúmulo de material morto na pastagem, a quantidade de forragem admitida no cálculo da capacidade de suporte deve ser superior à capacidade de consumo dos animais. Considera-se, assim, um valor correspondente de 10% a 12% do peso vivo (1 UA = 450 kg). Capacidade de suporte (UA/ha/ano) = (produção anual de forragem (kg MS/ha)/ (peso vivo de 1 UA x 11% ao dia X 365 dias), por exemplo: Produção anual de forragem = 25.000 kg de MS por hectare Peso vivo de 1 UA = 450 kg Capacidade de suporte = 25.000/(450 x 0,11 x 365) = 1,38 UA/ha/ano Essa seria a capacidade de suporte em regime de pastejo contínuo. Supondo-se, entretanto, que o mesmo pasto deva ser utilizado mais intensamente no período chuvoso, quando produz 75% da produção anual, a capacidade de suporte estimada para esse período de 210 dias seria de 1,80 UA/ha, e para o período seco (155 dias e 25% da produção) de 0,81 UA/ha. Produção de forragem no período chuvoso: 25.000 kg de MS por hectare x 0,75 = 18.750 kg de MS por hectare. Capacidade de suporte no período chuvoso = 18.750 / (450 x 0,11 x 210) = 1,80 UA/ha.
Produção de forragem no período seco: 25.000 kg de MS por hectare x 0,25 = 6.250 kg de MS por hectare.
Capacidade de suporte no período seco = 6.250 / (450 x 0,11 x 155) = 0,81 UA/ha.
A forma de se estimar a capacidade de suporte é complexa em razão dos inúmeros fatores envolvidos, mas, basicamente, é em função da disponibilidade de forragem (MS) e do consumo de MS pelos animais. Numa aproximação, a capacidade de suporte de um pasto pode ser obtida pela fórmula:
Capacidade de suporte (UA/ha/ano) = Produção de forragem/ha/ano divido pelo Consumo/UA/ano.
A produtividade das forrageiras utilizadas em pastagens é avaliada, experimentalmente, em parcelas. A forragem é cortada, seca e pesada periodicamente e o somatório das produções obtidas é expresso em kg/ha de matéria seca (MS). Em áreas maiores, com animais, a produtividade pode ser medida em kg/ha de peso vivo, que é o produto do ganho de peso/animal/dia pelo número de animais/ha.
A alternância de pasto é um recurso comumente usado para evitar o esgotamento da pastagem pelo pastejo contínuo, que não deve ser confundida com rotação de pastagem. A alternância ou diferimento do pastejo consiste em proporcionar descanso à pastagem quando necessário, transferindo-se os animais para pastos mantidos como reserva. Na rotação, a pastagem é subdividida em áreas menores, em número que permita o pastejo e o descanso dessas áreas, sucessiva e sistematicamente.
Qual é o sistema de pastejo (contínuo ou rotacionado) recomendado para gado de corte nas regiões tropicais?
Existe controvérsia sobre as vantagens do pastejo rotacionado, na criação de gado de corte, em regiões tropicais. A recomendação de um ou outro sistema depende da espécie forrageira. Nas pastagens nativas, por exemplo, o pastejo contínuo, com lotação variável conforme a época do ano, é o mais indicado. No caso de pastagens cultivadas, o sistema de pastejo dependerá do hábito de crescimento da forrageira que o compõe. As espécies estoloníferas, que possuem hábito de crescimento rasteiro e emitem estolões, que se enraizam nos nós, não são prejudicadas pelo pastejo contínuo, desde que a lotação seja ajustada à capacidade de produção da pastagem. Para as espécies que formam touceiras, como andropogon, tanzânia, massai e mombaça, recomenda-se o pastejo rotacionado; para marandu, xaraés e piatã, rotacionado ou contínuo; para decumbens, humidícola e dictioneura, pastejo contínuo.
Os tiftons (Cynodon spp., cultivares Tifton 68, Tifton 85, Florona, Florico, Florakirk) são híbridos de Cynodon dactylon e Cynodon nlemfluensis, com alto valor nutritivo e produção de forragem. Os tiftons têm algumas limitações para uso nas regiões de cerrado, pois são muito exigentes em fertilidade do solo e sucetíveis à infestação por invasoras se não atendidos em sua exigência. São também mais suscetíveis ao ataque das cigarrinhas das pastagens. Por não produzirem sementes férteis, os tiftons têm pastagens formadas por mudas. Entretanto, além da engorda de bovinos, os tiftons são recomendados para equinos, por serem resistentes ao hábito de pastejo desses animais.
Qual é a forrageira indicada para áreas de morro? Como formar pastagens nessas áreas?
Excetuando-se as áreas de preservação permanente, protegidas por alta declividade; o ideal para plantio em morros são os capins estoloníferos, de rápido estabelecimento, com completa cobertura do solo. Braquiárias como a decumbens, a humidícola e o capimmarandu têm sido plantadas com sucesso, sulcando-se o terreno em nível com arado de tração animal, a distâncias de 70 cm a 100 cm, aplicando-se os fertilizantes necessários manualmente, no sulco, juntamente com as sementes. A área entre os sulcos será aos poucos invadida naturalmente, ou por sementes que caem ou por enraizamento dos estolões. Espécies ou variedades estoloníferas, tais como grama-estrela, coast-cross, pangola, etc., desde que bem-adaptadas ao local em questão, podem ser usadas, efetuando-se o plantio vegetativamente, com pedaços de estolões, a espaçamentos de 0,5 m a 1,0 m dentro do sulco.
Quais são as características da setária e como formar pastagem com essa gramínea?
A setária (Setariasphacelata var. anceps cv. kazungula) é uma gramínea tropical que se adapta a solos ácidos e de baixa fertilidade, embora apresente maior produção e persistência em solos de média a alta fertilidade. Desenvolve-se satisfatoriamente em solos úmidos de baixada e suporta alagamentos temporários. Tolera geadas, desde que não muito severas, e períodos secos não muito prolongados. Destaca-se pela resistência ao pisoteio, suportando bem o pastejo contínuo. A setária é de estabelecimento relativamente fácil, embora de crescimento lento no início. No Brasil Central, a semeadura, após o preparo do solo, pode ser feita de novembro a janeiro, usando-se 2 kg/ha de sementes puras viáveis. O pastejo pode ser iniciado de 80 a 90 dias após o plantio, de preferência com animais em recria ou engorda. A setária apresenta, em comparação com outras gramíneas, teores de oxalato relativamente altos, especialmente quando as plantas são jovens. Por essa razão, deve-se evitar o pastejo nessa fase, por vacas recém-paridas ou em mau estado nutricional.
Como formar pasto em área de várzea? Qual é o melhor capim e a melhor técnica de formação?
Entendendo várzea como área de solo plano com problemas de drenagem, que pode ir dos terrenos permanentemente alagados aos periodicamente inundáveis, a escolha da forrageira deve recair sobre as que tolerem, de alguma forma, condições de excesso de umidade.
O capim-angola (Brachiaria mutica) desenvolve-se muito bem tanto em solos férteis com variados graus de umidade quanto nos encharcados permanentemente. Tanner-grass (B. arrecta) e tangola (B. arrecta x B. mutica) também podem ser cultivados em várzeas úmidas. Esses três capins são plantados vegetativamente, usando-se estolões com aproximadamente 40 cm, em espaçamento de 1 m entre linhas e entre covas. Para várzeas úmidas, exclusivamente no período chuvoso, mas que permitem trabalhos com máquinas na seca, podem ser utilizadas a setária, a humidícola e dictioneura, plantadas por sementes, em solo preparado com aração e gradagem normais. Observe que as várzeas só podem ser cultivadas fora das áreas de preservação permanente (APPs) que margeiam os cursos d’água.